sábado, 26 de julho de 2008

a multidão sob uma gaze prateada com reflexos do meu luar

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 2007


a minha gata. a minha gata. multidão. chamei por ela. não a vi. cheirei-a, senti-a, deste lado mais iluminado do quarto. virei-me para trás. para a obscuridade, de onde a sentia. restolhar. a palavra faz-me lembrar livros antigos. que li na minha adolescência. júlio diniz. eça de queiróz. mas um restolhar sem barulho. uma bolha de ar. ou um novelo grande? na minha cortina a rastejar pelo chão quarto adentro? brilha por debaixo da infinita bainha da cortina de cinza com véus de prata. escurecem-se 2 bolinhas no novelo. no meio da prata do meu ecran reflectida na bolha de ar. e vejo. uma diáfana multidão. por isso se diz que haja quem tenha visões. eu tive. hoje tive. mais que uma. lindas. esta. a de uma francesinha de paris do porto à porta do alpendre. a de um vestido 'rojo' de vinho, de sangue negro das veias. com continhas e tudo. ia-se enrolando e serpenteando, mais ou menos quietamente, numa tira dourada azul de mar. tudo me soube muito a verde, da cor das bolinhas que são só minhas.

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