quinta-feira, 10 de maio de 2007

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SÁBADO, 09 DE DEZEMBRO DE 2006









normalmente uma imagem dá o mote. põe-me a pensar. ou cores. principalmente cores. cores despertam-me os sentidos. despertam sensações, coisas vividas. algumas imaginadas. não vos acontece não ter certeza se uma coisa aconteceu o a imaginaram? coisas sem a miníma importância, outras que me fazem duvidar da minha sanidade mental. ou simplesmente alzeihmer. mas coisas tão reais como se tivesse acabado de acordar depois de muito dormir, com luz do dia, entre o consciente e o inconsciente. há muito dormir. muitos sonhos. muitos rem.
há também o que chamo fenómeno slide. passar a noite de sono a ver slides. imagens seguidas, uma após outra, sem dar descanso. há muito tempo eram de mapas. tipo mapas de estradas. mas só se viam as estradas, como fios de chila, num plano transparente que se movia um pouco para cada lado, às vezes em contínuo, como se começasse no norte e nunca mais chegasse o sul. outras andava caóticamente, ao calhas, para um lado e para o outro. eu via e enjoava. sentia-me enlouquecer com aquilo, mas não terminava. mesmo que acordasse, continuava a ver o mapa de linhas translúcidas à minha frente. onde é que aquilo ficava? acho que portugal, sempre portugal. eternamente portugal, até ao enjôo. depois passaram a ser imagens da cidade, de revista. slides de arquitectura que nunca deixavam de passar. agora? agora pode ser de tudo. mas normalmente, imagens exaustivas de nada.
e vôo. sim, vôo. a propósito de tudo estou a voar. mesmo nos pesadelos, naqueles que deixamos de saber guiar e não podemos salvar um irmão, vôo e tudo se resolve. acho que se resolve. porque fico com uma sensação de paz no sono. deixo de ter o pânico gravado nas células, no cérebro, nos sentidos.
e vôo normalmente sempre por cima de campos e vales. verdejantes. ventosos. ou á noite. mas raramente sobre cidades. embora talvez já tenha acontecido voar na cidade. voar quando vou a cair. de algum prédio, de algum precipício. de alguma morte eminente. de alguma dor atroz. mas tudo se resume a paz. ao vôo da paz. em que me espanto por não saber que podia voar. por não ter acreditado antes que podia voar. que também podia voar acordada. que parva que fora. e parva também por por vezes não me acreditarem.

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